INTRODUÇÃO
Iniciei
na computação gráfica em 1989 quando comprei
meu primeiro micro, um AT. Na tela verde via rodar uma das primeiras
versões do AUTOCAD, acho que a versão 2. Não
conseguia tirar nada de concreto daquelas linhas que desenhava, mas
vislumbrava naquela máquina um potencial tremendo.
Dando aula na faculdade de arquitetura, comecei a introduzir a linguagem
desta nova máquina, primeiro através de minhas pautas
de controle. Nelas acompanhava todo o desempenho dos alunos, do início
ao fim do curso, através de planilhas elaboradas no Lotus.
Os alunos ficavam impressionados com aquele novo método e forma
de trabalhar. Mas meu desejo maior era usar o computador para elaborar
desenhos em 2D e 3D.
O AUTOCAD 10
Eis que um aluno, em uma conversa sobre computação gráfica,
me falou que poderia me ceder uma cópia do AUTOCAD 10, que
era bem avançado, à cores e de fácil utilização.
Aceitei a oferta, e de posse dos disquetes, ainda os de 5 1/4",
instalei o programa em meu micro. Inicialmente, não tive boa
impressão, já que minha tela ainda era verde e a sensação
visual não era das melhores. Mas senti que realmente era muito
diferente daquela primeira versão que tinha tido acesso. Troquei
meu micro por um 286, com monitor colorido Super VGA High Resolution.
Logo percebi que tudo seria diferente a partir daquele instante...
A visualização era outra, tanto para o uso do AUTOCAD
como para o "Prince", primeiro jogo para computador que
usei em tela colorida.
PRIMEIRAS
PLOTAGENS
No AUTOCAD, já conseguia construir com facilidade figuras e
elaborar desenhos até bastante complexos. Faltava agora ver
o desenho impresso. Primeiro comprei uma impressora matricial Rima
XT 250 de 130 colunas, achando que conseguiria tirar através
dela, aqueles desenhos que elaborava na tela. Não foi assim
tão fácil. O desenho era reproduzido, mas a qualidade
deixava a desejar.
O AUTOCAD 12
Usei o AUTOCAD 10 até onde pude. Comprei então o direito
de uso da versão 12, juntamente com um curso de 20 horas. O
professor, um engenheiro, limitou-se a apresentar os comandos, isoladamente
sem aplicações.
Eu e meus companheiros de turma, funcionários da Petrobrás
e outras empresas, como trabalho final, fizemos uma planta baixa,
a qual chegamos a imprimir, numa plotter do próprio curso.
Foi nesse momento que vi impresso pela primeira vez um desenho meu,
em escala, com as linhas traçadas com espessuras diferenciadas
e etc.
A
PRIMEIRA PLOTTER
Como possuía umas economias que não pretendia usar a
curto prazo, resolvi comprar uma plotter daquelas. Não lembro
quanto custou, mas foi um investimento alto.
Era uma Digicon TDD-21RMP, traçador gráfico para folhas
A1 e A2, para uma pena e com visor. Lembrando hoje, aquele equipamento
era "Jurássico". Uma mesa estreita, metálica
com hastes onde se movia a pena com roletes para deslocar a folha.
Desenhava todas as linhas de uma determinada espessura, e ao final
ela dava um "BIP" para avisar que deveria trocar a pena.
Era estressante! Tinha que ficar atento para verificar se não
houvera qualquer falha, se a pena havia baixado até o papel
para o traçado, se a folha estava corretamente colocada, enfim,
era uma loucura!
Até que usei bastante. Imprimia desenhos de plantas ampliadas,
as quais levava para a faculdade, para minhas aulas de desenho de
arquitetura.
O
3DSTUDIO
Foi então, que em uma exposição, vi pela primeira
vez um trabalho produzido no 3DStudio.
Era uma animação, com um observador caminhando pelo
interior de alguns ambientes.
Achei aquilo fantástico! Era o que queria fazer!
Comprei então o 3DStudio R2. Instalei em meu micro, e comecei
a tentar usar. Primeiro só conseguia elaborar as figuras básicas,
sem muito poder de manipulação.
Lendo o manual e com dicas de amigos que também começavam
a usar, comecei a me desenvolver. As primeiras animações
começaram a surgir.
Desenhava tudo no AUTOCAD, em 3D, transportava para o 3DStudio e executava
a animação.
Lembro que cheguei a fazer várias, e quando mostrava, meus
colegas ficavam perplexos. No trabalho ganhei a fama de mestre na
computação gráfica.
Ainda não conseguia encadear o trabalho todo no 3DStudio. Principalmente
usar o 2D Shaper. Fiz então um curso no IAB (Instituto dos
Arquitetos do Brasil) que "abriu minha cabeça". Como
já havia tentado usar por diversas vezes, aquela interface
sem sucesso, quando o professor nos apresentou as técnicas,
minha visualização e assimilação foi extremamente
rápida.
Logo passei a usar o programa mais amplamente, e não era mais
preciso elabora a base do desenho, inicialmente no AUTOCAD. Passei
a fazê-lo todo no 3DStudio.
O
PRIMEIRO TRABALHO
Neste momento, depois de mostrar meus trabalhos em 3D para alguns
amigos arquitetos, estes me chamam para fazer meu primeiro trabalho
profissional com o 3DStudio.
Era uma série de desenhos, para o escritório "Lopes,
Santos e Ferreira Gomes Arquitetos Associados Ltda." - os interiores
da nova sede do SENAI no Rio de Janeiro, com os novos lay-outs e mobiliário
que seriam implantados.
Desenhei todo o mobiliário, rico em detalhes, com diversos
elementos arredondados. Quando juntava tudo e renderizava percebi
que algo não estava correto.
O trabalho era extremamente demorado. Algumas renderizações
demoravam até uma hora para surgirem na tela. As vezes, após
renderizar, verificava que algo não estava como desejava, sendo
obrigado, após retificar, esperar outra hora para ver se estava
correto.
Era inviável trabalhar daquela forma! A solução
que encontrei foi renderizar por partes, colocando na tela apenas
os elementos da cena em 3D.
Foi então que percebi que o computador odeia curvas! O processo
é muito mais demorado quando o desenho as possui.
Percebi também que meu micro já estava superado. Havia
chegado ao seu limite. Para acelerar o trabalho teria que melhorar
a máquina.
Depois de muitas horas de trabalho, exausto, terminei, entreguei,
e foi até um sucesso. Apesar da impressão, feita numa
HP-560, não ter ficado muito boa, me senti recompensado e meu
cliente também.
Com o lucro comprei um 486.
O
SEGUNDO
Em função do bom resultado do primeiro, esse mesmo escritório
de arquitetura me convidou para fazer um outro trabalho. Era um pouco
mais complexo, e com prazo extremamente curto.
Teria que elaborar imagens com textos, para montar um caderno, com
a apresentação de três agências do UNIBANCO
com a nova programação visual interna e externa, mobiliário
e lay-outs.
Como no primeiro trabalho, havia perdido muito tempo elaborando a
arquitetura em 3D, para ganhar tempo, pedi que eles elaborassem os
volumes em 3D, baseados nas plantas no AUTOCAD.
Eu apenas geraria as imagens, com as texturas e cores desejadas. Desenhei
todo o mobiliário e acessórios, separado, para depois
introduzir na cena como blocos. Fiz diversas mesas, cadeiras, letreiros,
painéis de propaganda, ricos em detalhes e com a maior fidelidade
de formas.
Como estava desenhando no meu novo micro , um 486, achei que o trabalho
seria fácil e rápido.
Recebi os desenho das agências em 3D e passei a elaborar as
imagens que havíamos combinado. Quando juntei tudo nas cenas,
com câmeras e iluminação, percebi que não
seria tão fácil como pensava. Alguns desenhos demoravam
demais nas renderizações.
Haviam me solicitado algumas vistas externas e internas. Foi ai que
fiz os primeiros desenhos noturnos. As agências Copacabana e
Barra à noite. Na produção, as perspectivas externas
eram até de execução rápida, mas as internas
demoravam uma eternidade. Tudo culpa do mobiliário, principalmente
as cadeiras com formas arredondadas. Quase desisti!
O prazo cada vez mais curto, eu entrando pelas noites, e o trabalho
não ficava como desejava. Renderizava a mesma cena diversas
vezes até ficar como havia imaginado. Novamente tive que usar
o recurso de só colocar os elementos da cena e renderizar.
Percebi também que quanto maior a resolução de
pontos na tela, mais demorada ficava a renderização.
Chegou uma hora que não tive saída. O que conseguia
produzir era o que aproveitava.
Apresentei aos clientes os desenhos, e como não havia tempo
para melhorarmos, os utilizamos da forma que estavam.
Montamos as páginas do caderno planejado, importando os desenhos
para o CORELDRAW, onde introduzíamos os textos e demais elementos
da paginação. Imprimi tudo e entreguei.
Segundo o que me afirmaram, o trabalho até que impressionou.
AUMENTO
DA DEMANDA
Uma ex-aluna da faculdade de arquitetura, que
um dia havia encontrado na rua, quando apresentei alguns trabalhos
em 3D que possuía, me ligou, e perguntou se eu não gostaria
de lhe dar aulas de 3D. Ela estava trabalhando para a Souza Cruz,
e precisava desenhar alguns munidores (aqueles painéis com
os maços de cigarro, que normalmente ficam junto aos caixas,
nos bares e lanchonetes) para apresentar a técnicos da empresa.
Concordei e começamos uma série de aulas semanais.
Na realidade, nas aulas desenhávamos os munidores para que
pudesse apresentar ao cliente. Contudo, seu tempo ficou escasso, e
não podia mais comparecer às aulas.
Passou então, para mim, o desenho das peças.
Básicamente eram formas fáceis de desenhar, as vezes
arredondadas, com materiais mapeados, aplicados a determinadas superfícies.
Fiz diversos. Cada vez mais, até que tive que convidar um ex-aluno
para me ajudar. Ele elaborava os volumes e eu montava a cena final.
Depois de algum tempo ele já fazia tudo.
Fiz o upgrade para o 3DStudio R3.
Então começamos a fazer montagens fotográficas.
Cada vez melhores, e mais reais. Desenhavamos o que pintava!
Contudo, com a diminuição do número de fumantes,
a venda de cigarros começou a cair, e a demanda de trabalhos
também, até que se encerrou.
Foi um período muito gratificante nos diversos aspectos, quando
pude desenvolver bastante as técnicas de 3D.
Os desenhos agora eram totalmente feitos no 3DStudio, sem o uso do
AUTOCAD.
ERA
TELETRIM
Outra
boa fase foi a dos projetos para a TELETRIM. Fui convidado por um
amigo para fazer o projeto da nova loja Teletrim na Presidente Vargas,
aqui no RJ. Lá conheci, um engenheiro, da própria Teletrim,
chefe da área de Serviços Gerais, que me ajudou bastante.
Me deu todas as dicas da empresa e de certa forma até bastante
liberdade de criação. A Teletrim, como qualquer outra
empresa nacional, não tinha como prioridade o lay-out de suas
lojas. Esse engenheiro me mostrou um estudo de arranjo para a loja,
que na realidade era um lay-out, do fornecedor do mobiliário
a ser fornecido (Madeirense). Solução lamentável!
Desconsiderando o que havia visto, iniciei meus estudos, e até
que cheguei a uma boa solução de arranjo, de forma a
aproveitar bem os espaços disponíveis, e definir bem
as áreas de Serviço e Público dentro da loja.
Todos os estudos foram aprovados, e passei a utilizar a mesma filosofia
em todos os outros projetos que surgiram.
Bem, isso não vem ao caso. O que importa é que apresentei
todos os estudos no 3D o que teve um enorme impacto. Segundo o engenheiro
da empresa, o arquiteto anterior, que fazia os projetos, desenhava
tudo em papel manteiga. Quando viram meus desenhos em computação
gráfica ficaram espantados com a qualidade. Depois de tudo
aprovado, a obra foi executada, e em função do bom resultado,
outras surgiram. Fiz a loja de Belo Horizonte, Tatuapé/São
Paulo, Curitiba e Madureira/RJ. Tudo sempre utilizando o 3DStudio
para as perspectivas e as montagens fotográficas, onde o cliente
tinha uma visualização perfeita das soluções.
No Autocad (versão 12 na época) elaborava os desenhos
arquitetônicos. Nesse período tive até condições
de comprar, para imprimir meus desenhos, uma plotter "HP Designjet
350 C". Além das lojas, fiz alguns quiosques, um ponto
de táxi com a propaganda da empresa (junto a sede no Morumbi
em São Paulo) e diversos lay-outs das áreas administrativas.
Propus até fazer a programação visual de toda
a empresa, mas não tive sucesso. Com o tempo, apareceram os
celulares a "preço de banana" e a empresa de pagers,
como todas do Brasil, quase faliu. Contudo foi um bom período
quando tive muito trabalho e lucro proporcional.
OUTROS
SOFTWARES
Durante esse período, tentei utilizar outro programa para 3D,
o "ZEN Grafik", iniciativa nacional de criação
de um programa para desenhos em 3D. Abandonei após algumas
tentativas, já que em comparação com o 3DStudio,
o ZEN era um arremedo, de qualidade inferior. Outro que também
tentei utilizar foi o "SIMPLY 3D" da "Visual Software".
O resultado foi o mesmo, um fracasso!
Numa viagem que fiz aos Estados Unidos em 96, comprei o "TRUESPACE2"
da Caligari. Desse até que tirei algum proveito, mas nenhum
se comparava ao 3DStudio da Autodesk. Com a necessidade de manipular
as fotos para executar as fotomontagens, passei também a dominar
o Photoshop. Primeiro o LE por muito tempo, e depois a Versão
4. Já possuo a última versão mas ainda não
tive coragem de utilizá-la. Os upgrades dos softwares sempre
trazem algo diferente, o que nos faz perder algum tempo para passarmos
a utilizá-los plenamente. Foi o caso do 3DStudioMAX. Desde
que surgiu, procurei utilizá-lo. Em outra viagem que fiz aos
Estados Unidos, em 97, comprei o 3DStudioVIZ. Fiz péssimo negócio,
já que paguei mais caro do que se tivesse comprado aqui no
Brasil. E para obter a licença de uso foi um parto! Portanto,
se o leitor pretende comprar algo lá fora, primeiro verifique
o preço e as condições do fornecido aqui no Brasil.
Mas, voltando ao 3DStudioMAX, tive extrema dificuldade de compreensão
da nova interface, agora toda dentro do Windows. O 3DStudio R4 tinha
como plataforma o antigo DOS, extremamente estável e seguro.
Agora teria que usar o Windows, extremamente instável e pouco
confiável. Fiz várias tentativas, até que desisti
e voltei para o R4. Só que esta versão não rodava
em um micro mais moderno. Comprei um 233, onde instalei o R4, e ele
não rodava por nada!
Foi então que percebi que não havia saída. Teria
que me envolver com o MAX, se é que pretendia trabalhar com
uma máquina melhor.
Comprei um Pentium III, e me matriculei no curso de férias
de 3D da PUC do RJ. Não podia ter feito coisa melhor! Hoje,
já utilizo com bastante facilidade o 3DStudio MAX, onde elaborei
meus últimos desenhos. Estou até disposto a dar curso
para quem desejar. Se você quiser aprender, me mande um e-mail
que acertaremos os detalhes.
O
3D STUDIO DA AUTODESK
Me
especializei nele, e passei a dominá-lo quase que completamente.
Desenho quase tudo que queira. O primeiro carro de corridas que desenhei
foi um Formula Indy-Hollywood do Maurício Gugelmin, patrocinado
na época (1996) pela Souza Cruz. Era um exemplar, para colocar
num stand da empresa, em uma exposição, que minha cliente
havia solicitado. Tive até uma surpresa! Ficou melhor do que
eu esperava!
Assim comecei a desenhar outros como a Ferrari do Schumaker, o Williams
do Piquet, o Williams do Jackie Villenueve, o Target do Alessandro
Zanardi e o Stewart de Rubens Barrichelo. A maioria dos carros desenhei
de memória, elaborando o desenho das peças em 2D, segundo
as dimensões que julgava ter. Até que ficaram bem próximo
da realidade (confira na página "OUTROS"
do meu site).
A febre por carros passou. Queria agora desenhar aviões. Num
repouso forçado, em virtude de uma cirurgia na perna, desenhei
meu primeiro avião. Um SU-27 Flanker da URSS. Fiz baseado em
um livro de aviões que possuo, onde aparecem as três
vistas básicas, planta, lateral e superior. Após scaneá-las
em JPEG, as importei para o Autocad e no Raster Image, as vetorizei.
Posteriormente as exportei para o 3DStudio R4. Aí gerei as
imagens a partir do 2D Shaper, passando pelo 3D Lofter e finalizando
no 3D Editor. Após dois dias de trabalho, concluí meu
primeiro exemplar e daí foi uma sequência. No meio até
tive oportunidade de desenhar um helicóptero, um Super Cobra.
Já tenho diversos exemplos como poderão ver na página
"AVIÕES" do meu site.
Outra fase boa foi a de 3D de Arquitetura. Em um determinado momento,
senti necessidade de desenhar volumes arquitetônicos. Então,
passei algum tempo desenhando volumes arquitetônicos que considero
interessantes. Comecei por uma fachada de Ouro Preto, passei por alguns
prédios da Bauhaus, o MAM, o Maracanã, e outros que
poderá ver na página "ARQUITETURA".
Ultimamente, como o país está atravessando sua fase
mais difícil, com altos índices de desemprego, inúmeras
empresas falindo, construção civil parada, eu estou
sofrendo as consequências. Estou sem serviços. Ando com
vontade de desenhar carros sport ou de passeio. Ainda não descobri
a melhor forma de fazê-lo. Já fiz algumas tentativas
mas não fui feliz. Se você leitor, tiver alguma sugestão,
me mande um e-mail com as dicas.
Em
Breve ERA INTERNET